Budismo

O budismo é o termo usado no Ocidente ao se referir à “religião” fundada por Siddhartha Gautama. Seus primeiros ensinamentos depois de alcançar a iluminação foram As Quatro Nobres Verdades. Na visão de mundo do budismo, o Karma – a lei da causa e efeito – é um conceito central. A Bodhichitta é a mente da iluminação que precisamos desenvolver: amor e compaixão por todos os seres que nos cercam. O caminho Vajrayana como seguimos em nossa linhagem é o veículo rápido; o caminho rápido para a iluminação. O sistema do Tantra nos ajuda a transformar nosso corpo e nossa mente.

Introdução ao Budismo

O budismo teve início na Índia, há cerca de 2.500 ou 2.800 anos. Depois da morte de Buda, seus discípulos se espalharam pela Ásia, levando adiante os ensinamentos que haviam recebido. No Ocidente, começou a ser conhecido no século XIX, o budismo tibetano mais tarde, no século XX.

O caminho budista é composto por uma série de ensinamentos que propõem a mudança da forma como nos relacionamos com o mundo. Ouvindo, compreendendo, criando familiaridade e praticando o que Buda ensinou, paramos gradualmente de buscar no mundo externo as causas de nosso sofrimento e felicidade.

Normalmente, vivemos na busca constante da sensação de bem-estar e acreditamos que iremos encontrá-la no conforto material, no reconhecimento de nossa imagem e nos prazeres sensoriais.

Vivemos também sempre ocupados em nos afastar de pessoas, situações, sensações ou objetos que acreditamos ser ameaças ao nosso bem-estar. Acreditamos, de maneira profunda, que tanto a felicidade quanto a infelicidade que experimentamos possuem causas externas e existem independentemente do nosso mundo interior.

Com a prática dos ensinamentos de Buda passamos, gradualmente, a encontrar dentro de nós mesmos – no desenvolvimento das qualidades internas e no abandono das aflições – a saída para o sofrimento e as causas da felicidade. Inicialmente, o budismo propõe que se desenvolva o amor por si mesmo. Isso significa aplicar esforço constante para reconhecer e abandonar o que sabemos que traz sofrimento; reconhecer e desenvolver o que traz felicidade.

 

Tendo clareza sobre o que é e como viver o amor por si mesmo, pode-se começar a desenvolver o amor pelos outros: começar a diminuir o próprio egoísmo e praticar ações que possam trazer felicidade para os outros.

Em um nível mais profundo, o amor por si mesmo e pelos outros de um praticante budista se baseia em uma correta visão da realidade, quer dizer, na sabedoria que compreende que, o eu e os outros, o sofrimento e a felicidade, assim como todos os outros fenômenos, não possuem uma existência própria, independente, pois estão em contínua transformação, dependem de causas e condições, de suas partes e de serem nomeados para existir.

Seguindo os ensinamentos de Buda é possível atingir um estado de consciência de completa paz interior, chamado Nirvana, e também um estado de êxtase, sabedoria e amor por todos os seres, chamado de Iluminação.

 

Buda

Sidarta Gautama foi um príncipe que nasceu em Lumbini, atualmente no Nepal, há 2500 ou 2800 anos. Como príncipe, Sidarta esteve, desde o nascimento, cercado por todos os prazeres que o mundo material poderia oferecer. Possuía empregados, um harém, poder, riqueza e fama. Foi casado e teve um filho.

Seu pai, temendo perder o herdeiro, o cercava de todos os cuidados e tentava ao máximo impedir que ele visse o sofrimento dos outros ou sentisse qualquer tipo de desconforto. No entanto, aos poucos, o príncipe Sidarta começou a perceber que nem a fama nem os prazeres, nem o poder nem a riqueza eram capazes de garantir uma felicidade verdadeira e duradoura.

Com a intenção determinada de atingir a iluminação e dessa forma encontrar um caminho capaz de verdadeiramente eliminar o sofrimento, Sidarta fugiu do reino de seu pai e por seis anos praticou meditação para chegar à iluminação. Isso aconteceu em Bodhigaya, na Índia, onde até hoje existe a árvore sob a qual Buda atingiu a iluminação.
Após a iluminação chamamos Sidarta Gautama de Buda Shakyamuni. Diz-se que Buda Shakyamuni foi o quarto Buda da nossa era a dar os ensinamentos. O quinto será Buda Maitreya.

A palavra buda significa iluminado, shakya faz referência ao clã ao qual pertencia Sidarta Gautama e muni significa capaz. Todos os ensinamentos budistas que estudamos e praticamos hoje vieram de Buda Shakyamuni, que os transmitiu a seus discípulos, que por sua vez os retransmitiram a seus discípulos numa linhagem ininterrupta.

 

Depois de Buda, muitos outros praticantes também atingiram a iluminação e se tornaram budas. Em tibetano, a palavra para buda é sáng-guiê. Sáng significa iluminar, purificar, limpar, eliminar completamente todos os venenos e as aflições mentais como a raiva, o desejo, o orgulho, o ciúme, a inveja, a avareza, a ignorância, dentre outras. E Guiê quer dizer crescer, aumentar, desenvolver. Portanto, um buda é alguém que eliminou completamente todas as aflições e venenos mentais e desenvolveu completamente todas as qualidades.

 

As Quatro Nobres Verdades

As Quatro Nobres Verdades foram os primeiros ensinamentos de Buda e são chamadas dessa forma porque foram percebidas pelos seres que eliminaram o próprio sofrimento, considerados, por isso, seres nobres. São elas:

1 Sofrimento

Primeiro é necessário reconhecer o próprio sofrimento, reconhecer a própria doença. Vivemos em uma busca incessante por sensações que nos tragam bem-estar e fugimos das sensações desagradáveis. Mas a felicidade que encontramos, seja nos relacionamentos, nos prazeres, nas coisas materiais ou no reconhecimento de nossa imagem, não é duradoura. Nosso corpo, posses e imagem estão em constante mudança e, mais cedo ou mais tarde, temos de nos separar das pessoas, objetos e status que amamos. É inevitável encarar o sofrimento da doença, do envelhecimento e da morte.

2 Causa do sofrimento

Uma vez que conhecemos a doença, devemos reconhecer e abandonar as causas da doença. O que causa o estado de sofrimento em que nos encontramos neste momento são as nossas aflições mentais, também chamadas de venenos mentais, e todas as ações que fizemos guiados por elas. Ou seja, o sofrimento que experimentamos hoje é causado pela raiva, pela ignorância e pelo desejo e por todas as outras emoções aflitivas que surgem destas três, e que nos levam a ter pensamentos, palavras e atitudes que trazem como resultado o sofrimento.

3 Cessação do sofrimento

Reconhecemos nossa capacidade de eliminar nossas aflições e alcançarmos um estado de profunda paz interior. Através da transformação de nossa mente é possível atingirmos um estado de satisfação permanente. A cessação é o resultado do caminho que, quando seguido, leva ao fim definitivo do sofrimento.

4 Caminho para a cessação do sofrimento

O caminho para o fim do sofrimento está em reconhecer as próprias qualidades e desenvolvê-las, abandonando os venenos mentais. O caminho para a cessação envolve desenvolver de maneira gradual qualidades como o amor, a compaixão, a alegria, a humildade, a generosidade e a sabedoria ao seu máximo potencial e abandonar completamente a raiva, o orgulho, a inveja, o ciúme, a arrogância e outras emoções que nos trazem sofrimento. 

 

 

 

 

Karma

A palavra karma vem do sânscrito e significa ação. O conceito de karma inclui todas as nossas ações de corpo, palavras e pensamentos. Ações positivas geram resultados positivos, ações negativas, resultados negativos e ações nem positivas nem negativas, resultados neutros.

O que define se uma ação é positiva ou negativa é a motivação, ou seja, a intenção através da qual a ação foi praticada. Ações positivas são as ações guiadas por emoções positivas como a gratidão, o amor, a humildade, a compaixão e cuja base da motivação é dar felicidade ou aliviar o sofrimento dos outros. Ações negativas são ações guiadas por emoções negativas como a raiva, o ciúme, a arrogância, a inveja, o medo e cuja base da motivação é causar sofrimento para os outros.

Quanto mais realizamos determinado tipo de ação, mais criamos a força do hábito de repetir aquela ação. Quanto mais mentiras eu disser, mais fácil será mentir. Quanto mais eu praticar a generosidade, mais fácil será doar.
Nossas ações não terminam no instante em que paramos de fazê-las. A ação em si termina, mas a energia, a força criada por ela continua como uma semente que plantamos. O carma não é estático. Um carma negativo pequeno pode se tornar um carma negativo grande e uma ação positiva pequena pode se transformar em uma ação positiva grande se for cultivada.

Para que uma ação, positiva ou negativa, seja completa e tenha mais força é necessário: a intenção de praticar a ação, praticar a ação até completá-la e regozijar por tê-la praticado.

É impossível experimentar qualquer sensação de sofrimento ou de felicidade sem ter criado, no passado, o carma para isso.

Todas as nossas ações de corpo, as palavras que dizemos e os pensamentos que temos ficam gravadas em nossa mente muito sutil e, mais cedo ou mais tarde, trarão resultado.

Bodhichitta

Em sânscrito, a palavra bodhi significa iluminação e tchitta significa mente, ou seja, bodhitchitta é a mente de iluminação: o estado de consciência altruísta daqueles que, movidos por grande amor e compaixão, desejam alcançar a iluminação para, dessa forma, serem capazes de beneficiar todos os seres, sem nenhuma exceção.

O primeiro ponto para desenvolver a bodhitchitta é ter fé no Buda exterior e ter fé no Buda que iremos nos tornar. O segundo ponto é gerar amor e compaixão equânime por todos os outros seres. Amor é o desejo de que o outro seja feliz e compaixão o desejo de que ele seja livre do sofrimento.
Normalmente, sentimos amor e compaixão por aqueles que já fizeram bem a nós, aversão por aqueles que nos fizeram mal e indiferença pelos que não nos fizeram bem ou mal. Para poder desenvolver a bodhitchitta é importante retirar o eu do centro de tudo. O desejo de felicidade para os outros seres não irá depender de como eles me enxergam, me tratam ou se relacionam comigo. Desejamos que o outro seja feliz pelo simples fato dele sofrer e buscar a felicidade.

A bodhitchitta é um estado de consciência elevado, traz grande satisfação e alegria, porém, não acontecerá de um dia para o outro, sem que se coloque esforço para desenvolvê-lo.

 

Caminho Vajrayana

Buda sempre adaptou seus ensinamentos à mentalidade e à capacidade de cada um de seus discípulos. Por este motivo, dentro do budismo, existem duas escolas principais, a escola hinayana (pequeno veículo) e a escola mahayana (grande veículo).

Na escola hinayana do budismo é dada maior ênfase aos ensinamentos e práticas que possam levar o praticante a desenvolver o amor próprio e a se libertar completamente de seu próprio sofrimento, atingindo um estado de grande paz interior. Na escola mahayana, o objetivo do praticante é chegar ao estado de consciência iluminado para poder conduzir todos os seres a esse mesmo estado.

É importante ressaltar que, no caso, as palavras grande e pequeno não carregam o sentido de uma escola ser superior ou melhor do que a outra.

O caminho vajrayana (veículo do diamante) faz parte do budismo mahayana e foi ensinado por Buda Shakyamuni para alguns discípulos adiantados na meditação sobre a visão correta da realidade e que desejavam chegar à iluminação para o benefício de todos os seres.
Para esses discípulos, Buda se manifestou em uma forma pura, chamado de Buda Vajradhara, e transmitiu os ensinamentos do tantra. A palavra tantra significa contínuo e diz respeito ao fio de energia que segue conosco momento após momento, vida após vida.

Não é possível ser um praticante do tantra sem antes ter desenvolvido o amor incondicional por todos os seres e sem ter meditado por um longo tempo na visão correta da realidade, portanto, um praticante do tantra não pode deixar de lado os ensinamentos do sutra.

Diz-se que o caminho vajrayana – ou o tantra – é o caminho veloz para a iluminação. Isso acontece porque, no tantra, o praticante é levado a utilizar todos os recursos disponíveis para chegar ao estado de consciência iluminado. Dentre esses recursos estão todas as energias grosseiras, sutis e muito sutis do corpo, da mente e do ambiente.

 

 

 

 

Tantra

A palavra tantra em sânscrito significa continuum. Tantra é um sistema de ética e meditação que gradualmente, ao longo dos anos, transforma os fluxos naturais de energia em nosso corpo, maximizando e aprofundando a cura de nosso corpo e mente. Nossa energia de vida, momento a momento, dia a dia e de vida em vida passa por um ciclo de absorção para o nível sutil e, em seguida, retorna novamente para o nível grosseiro.

A noite, quando dormimos nossos elementos internos, nossos sentidos grosseiros e a consciência se absorvem e, em seguida, por um breve momento a nossa mente original – a clara luz – se manifesta, mas a maioria das pessoas não reconhece isso.

Depois disto, nossa mente torna-se gradualmente mais grosseira e nós sonhamos, habitamos o mundo dos sonhos com nosso corpo do sonho. Então, a nossa energia se torna novamente mais grosseira, nós acordamos e nos encontramos novamente em nosso corpo e mente grosseiros. A mesma coisa acontece quando morremos. Em primeiro lugar, nossas energias elementares e a consciência sensorial se absorvem e então finalmente nossa mente original desperta. Quando dormimos tudo isso acontece em poucos minutos, mas quando morremos isso acontece mais lentamente, ao longo de algumas horas ou até mesmo dias.
Na Autocura Tântrica aprendemos a despertar nossa mente original e nossas energias sutis, começamos a purificar o fluxo de nossa energia vital. Em primeiro lugar, através do treinamento na meditação, nos tornamos conscientes de nossa mente original quando adormecemos, nós podemos reconhecer nossos sonhos como sonhos, e integramos esta energia ao nosso estado de vigília. Tudo isso é possível quando aprendemos a usar nossos canais, chakras, ventos e gotas, e, especialmente, quando aprendemos a direcionar nossa energia para o nosso canal central e despertarmos nossa mente original. Nós unimos a mente de clara luz com o espaço absoluto e isso purifica nosso continuum de energia de vida.

As várias fases desta purificação de nossa energia de vida são chamadas de solos tântricos e caminhos, que resultam na realização da mente pura e desperta – dharmakaya – do corpo puro e desperto – o sambhogakaya – e o corpo e a mente que contém o corpo e a mente despertos – o nirmanakaya.

Outro tantra importante é a linhagem, o continuum de energia que passa de uma geração de professores de autocura para outra. Isso não significa simplesmente fornecer informações e ensinamentos de geração em geração, significa também a transmissão de uma mente para outra das experiências de autocura, de modo que elas sejam novas a cada geração.

 


Equanimidade ilimitada: possam todos os seres sempre viver em equanimidade, livres da atração por uns e da aversão por outros.

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